segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O Corinthians caiu - E agora ? Algumas recomendações pro futuro....

Fruto de uma administração confusa e cercada de suspeitas, de uma infra-estrutura deficiente e de nenhum planejamento, acontece a queda do Corinthians para a série B do futebol nacional, não é a primeira vez que um clube dito grande cai, é verdade, mas quando o clube de segunda maior torcida tem um revés deste tipo as estruturas se abalam, e o negócio futebol brasileiro também.

Em primeiro lugar, o provável valor econômico de um Campeonato Brasileiro, em sua primeira divisão, cai razoavelmente; o anunciante quererá pagar as mesmas cotas de publicidade para a emissora de televisão em um campeonato que, claramente terá menor interesse ? Falemos apenas quantitativamente, é uma grande torcida cujos mais fanáticos não vão chegar perto da televisão, falamos de alguns milhões de pessoas. Eu não pagaria, perdem todos, mas aconteceu e não é essa a justificativa, mas a série B, de menor visibilidade mas de grande força e potencial, agradece.

Certamente a emissora de TV dará um jeito; como fonte de receita predominante e absurdo poder de negociação, novas datas e horas de jogos surgirão no calendario da série B.

Agora, voltando ao clube em si, como voltar em grande estilo ? Como fazer do problema uma grande lição? Algumas humildes sugestões:



1. Aproximar o torcedor do clube : O torcedor precisa se transformar em consumidor, como fazer isso em momento de baixa ? Deve-se buscar resgatar a identificação do torcedor com o clube, convidá-lo para ser parte, e isso é importante, de um projeto digno de reconstrução e de retomada de caminhos mais gloriosos. Isso, para simplificar, começa por um projeto sério de comunicação que reforce os aspectos de identifícação com o clube e de inserção social que só o esporte proporciona, além de produtos configurados para este aprofundamento. Parece fácil, mas um dos fatores chave de sucesso mais importantes é a CREDIBILIDADE; o público precisa ter essa confiança, caso contrário, o abandono da idéia vem a galope.

2. O aproximar o torcedor do clube passa por eliminar intermediários, deve-se criar canal direto de comunicação com o torcedor, falo do torcedor comum, daquele que, individualmente decide o grau de adesão em relação ao clube que segue, não do torcedor organizado. Essa aproximação vem de uma melhora da experiência em acompanhar o time, por mais tênue que seja. Programas sócio torcedor, com smart cards, pacotes exclusivos dentre outros benefícios podem gerar uma perene fonte de receitas e um maior grau de relacionamento.

3. Trabalhar para reduzir o poder das torcidas organizadas. A torcida organizada é um verdadeiro tumor maligno instalado em órgãos vitais do futebol brasileiro. Estas entidades expulsam os torcedores individuais e suas famílias dos estádios, usam a marca e identidade visual do clube para obtenção de benefício econômico transformando-se em produtos substitutos e em centros de poder. Na prática, ou no "bottom line", as organizadas roubam receitas dos clubes. É difícil, mas não se pode admitir o poder que essas organizações "piratas" tem com a injustificável conivência do poder público e dos dirigentes dos clubes.


4. Planejar, planejar e planejar : o trabalho para 2008 começa atrasado se começar hoje, trabalhar as questões de receitas previstas, ajustar custos e atividades para esta nova realidade. O planejamento da atividade esportiva como contratações, reposições de atletas e todos outros aspectos esportivos já precisa estar em andamento; com receitas adicionais vindas do relacionamento, pode-se montar uma base "série A" para subir e chegar com esta base na volta ao devido lugar do clube.

5. Administração a ferro e fogo : controles extremos de investimentos, custos e despesas, auditoria constante e publicada; não há espaço mais para as roubalheiras absurdas do passado. O clube precisa ser administrado como se tivesse um "dono" sovina e rabugento.

6. Combate ferrenho à pirataria: por mais caro e difícil que seja, é preciso fechar este ralo por onde escorrem oportunidades de receitas, varal com camisas falsificadas e piratas pregado na parede do estádio é inaceitável, deve-se sufocar esta atividade pelo viés econômico com constantes apreensões até que não valha mais a pena se aventurar.

Enfim, outras idéias vem e vão, mas relacionamento com o consumidor, configuração de atividades para atender às necessidades e desejos do consumidor e sua administração são as saídas, também conhecido como marketing.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

"Now that we found love what are we gonna do with it ?"

Conforme previsto e cantado em verso e prosa por aí, a Copa de 2014 será realizada no Brasil, a menos que o país resolva brincar de Colômbia-1986. Sabe-se lá o que foi feito, prometido, conchavado para que o Brasil fosse selecionado, mas enfim, chegou o anúncio.
Desde o começo da semana veio à mente uma musiquinha, já meio velhinha, que tem um verso que é o título deste "post". Quisemos tanto, agora conseguimos....o que fazer agora com isso que tanto queríamos ?
Confesso que estou dividido, uma parte de mim, mais otimista, está adorando tudo isso, uma Copa no Brasil !!! É a chance de adequar os estádios, ou construir novos, que ajudarão a transformar a experiência de ir a um jogo de futebol mais agradável, com isso atrair mais e melhor público, os clubes ganhando mais de fontes diversas, enfim, a chance de transformar o futebol em uma atividade rentável e sustentável.
A parte amarga de mim já enxerga a realidade do Brasil; aquele país em que todos acham normal uma empreiteira pagar as contas da amante de um senador, de gente carregar dinheiro de origem duvidosíssima na cueca, das emendas da reeleição, do pouco respeito à vida e ao trabalho das pessoas. Vejo o Presidente da República, um autor literário de qualidade lamentável, o Ricardo Teixeira representando o Brasil lá na FIFA....já imagino os orçamentos das obras, e principalmente seus suplementos emergenciais dispensando licitação já que as obras, algumas, vão começar em agosto de 2013....estes senhores não representam a maioria das pessoas deste país, nem a mim nem todo mundo que trabalha sério e paga impostos; estes senhores representam o pior do Brasil e o pior do que está por vir nesta farra orçamentária que vêm aí, vai ser uma vergonha, tal qual o PAN, que nada mudou o combalido esporte olímpico brasileiro.
Se esses senhores tiverem um lampejo de decência, contratem desde já, uma empresa de auditoria para fiscalizar cada centavo das obras para a Copa de 2014, e que publiquem os gastos para toda a sociedade, este é um desafio que lanço; somente assim, esta copa de 2014 realmente será de todos os braisileiros, e não apenas dos amigos e dos políticos.
Duvido, acho que vai ser a mesma farra de sempre mesmo.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Pesquisa CNT/Sensus - As reações

Publicada pesquisa CNT/Sensus que diz respeito à preferência popular pelos times de futebol no Brasil, não há grandes novidades no andar de cima em relação à pesquisa LANCENET/IBOPE de 2004 que todo mundo utiliza como referência em pesquisas voltadas para os negócios do esporte, mais especificamente do futebol.

Nos grandes portais de notícias, apenas temos os resultados, não me lembro de ter visto os dados que qualificam a pesquisa como número de entrevistados, distribuição geográfica, demográfica nem, por exemplo, qual é a margem de erro que a estatística nos dá quando dos cálculos.

Vamos aos resultados


Clube %
%
Flamengo 14,4
Corinthians 10,5
São Paulo 8,0
Palmeiras 7,2
Vasco 5,0
Grêmio 3,9
Santos 3,7
Cruzeiro 3,3
Internacional 2,1
Botafogo 1,8
Atlético-MG 1,5
Fluminense 1,5
Sport 1,0
Goiás 0,9
Atlético-PR 0,8
América-RN 0,6
Juventude-RS 0,4
Figueirense 0,3
Náutico 0,2
Paraná Clube 0,1


Independente da metodologia e de sua margem de erro, é uma pesquisa feita por uma instituição séria e competente, toda pesquisa tem margem de erro, mesmo uma pesquisa feita com amostra de 100% está sujeita às variações da condição humana tendo sua margem de erro.

O curioso é ver este importante dado, que pode servir para planejamento de atividades de marketing ser questionado como se fosse o resultado de uma partida pelo "feeling" dos dirigentes que, em sua visão, sabem mais que uma pesquisa estruturada. Tudo bem, é um pouco de jogo pra torcida, acontece em todo lugar mesmo e talvez eu tenha que deixar um pouco minha sizudez de quem atua em um mercado profissionalizado para entender o mundo dos esportes, mas um recadinho cabe:

- Passado o joguinho pra torcida e as reclamaçõezinhas, que tal entender o relatório e usá-lo como suporte para tomar decisões em prol dos seus clubes ? Pode ajudar....

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Corinthians, UM-ZERO-ZERO e Renan......

O Brasil tem uma indescritível, e lamentavelmente indestrutível, capacidade de gerar escândalos nas mais diversas arenas; todavia, por mais diversos que sejam os palcos, ou picadeiros, temos sempre a sensação do mesmo desfecho, vivemos em um país, ou em mundo, em que prevalecem as verdades construídas, e isso é muito perigoso.

Não preciso comentar o quão estranho é um Senador da República (letras maiúsculas em respeito ao cargo, não ao uso que é feito dele) ter as contas de sua amante pagas pelo representante de uma empreiteira; apenas no seio de uma sociedade de valores morais corroidíssimos tal estranho fato é que pode ser tolerado e considerado normal, acabou em pizza "meia desencanto, meia indignação", pelo menos para os mais esclarecidos.

Complicado isso, os fins parecem justificar os meios....a ética convicta se sobrepõe à responsável; mentiras viram verdades pregadas em um viés ideológico que condena o país a uma ineficiência incompatível com seus sonhos e, pior, com suas pretensões de ser uma grande e forte nação. O tumor maligno da classe política e da prevalecência da Lei de Gérson nos impedirão de crescer e de ser um país digno....haja CPMF para sustentar tudo isso e rechear as cuecas dos partidários do governo... e quantas pastas do mais fino cromo alemão não terão sido recheadas em outros governos ? A questão da corrupção não é partidária faz tempo, é puramente custo econômico antes que me classifiquem como "elite", "direita", etc...

O amigo leitor, deve achar que o BLOG mudou de assunto....calma, é só um preâmbulo para o assunto título com o mesmo viés, os fins justificam os meios.

Enquanto os dirigentes de futebol buscarem apenas e tão somente títulos para serem ovacionados e reconhecidos como heróis pelas massas os fins justificarão os meios; passam estes senhores e ficam as dívidas, os escândalos e os reflexos de desonestidade e corrupção, sobrou para o Corinthians nessa.

Corinthians , o campeão dos campeões e eternamente dentro de nossos corações e tudo mais, frequenta mais as páginas policiais que as esportivas hoje; seu presidente, afastado, se gabava de ser o mais vitorioso dentro de campo da hitória do clube , mas temos que aprender que não é de vitórias dentro de campo que se vive, por mais paradoxal que isso possa parecer.

Passaram os títulos, surgem as gravações no melhor estilo filme policial americano passadas à exaustão na mídia; conchavos, sonegação, lavagem de dinheiro, investidores, até ontém idôneos , desmascarados e nominados e, em termos mais práticos, uma dívida imensa e uma instituição de credibilidade arranhadíssima; se fosse uma empresa normal, seria o fim, mas ninguém tem culpa; no país dos cartórios, só é corrupto comprovado quem dá recibo com firma reconhecida, filmagens e gravações nunca servem de nada, curiosa justiça nossa.

Quanto à credibilidade do produto futebol, pela qual alguém tem que zelar, ninguém nem se importa; por mais corinthiano que eu seja, ganhar títulos com dinheiro sujo é DOPING SIM, como diz Juca Kfouri em seu blog, infelizmente uma punição exemplar se faz necessária.

Quanto à credibilidade do Brasil, com sua justiça de faroeste caboclo, suas regras escorregadias e a corrupção cada vez mais presente e robustecida pelo Estado patrão, ninguém se preocupa, afinal, pela ótica sempre monetarista, o país vai muito bem não fosse a imprensa (sic) como disse Ciro Gomes há alguns dias.

Há tempos o bordão "dois pesos, duas medidas" já perdeu o sentido; o número de pesos, medidas e por consequência , combinações já é bem maior que isso.

Parafraseando Chico Lang, outro corinthiano ilustre além do Juca, assim caminha a mediocridade....complemento meu : de forma cada vez menos sustentável.

Realmente nosso Corinthians se mostra do Brasil o clube mais brasileiro, talvez se mude para Brasília ao lado dos "seus".

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Apresentação , Pessoas e Processos

Estive na Inglaterra em viagem puramente de pesquisa acadêmica. O assunto, como os mais próximos sabem, a admnistração mercadológica do futebol; a forma como o produto e o público são tratados fizeram até, mesmo vacinado pela neutralidade do pesquisador, que eu gastasse uma boa grana em produtos dos clubes que visitei, mas isso é uma outra estória.

Na Universidade de Liverpool, que oferece o famoso, com justiça , FIMBA (Football Industry MBA), curso voltado para o estudo deste ramo de atividade e que se propõe a formar profissionais para atuar neste ramo de atividade tive a chance de conhecer a visão de vários professores sobre o assunto, embora óbvio, cabe comentar que eles já cruzaram algumas pontes que ainda nem visualizamos.

Visitei dois clubes sendo recebidos por seus executivos, o Everton F.C., clube sobre o qual vale a pena comentar o quanto esse clube se identifica com sua comunidade sendo um dos poucos, pelo que sei, que tem ações comunitárias. Algumas destas ações são belíssimas como, por exemplo, a prioridade que o clube dá às ações voltadas para deficientes físicos e sua inclusão por meio do FUTEBOL, fantástico.

O Arsenal F.C. é um belo clube, tem uma administração competente, moderna além de um novo estádio maravilhoso...efeito de tudo isso, em um treino típico (físico mais coletivo) haviam seis mil pessoas assistindo, pagantes, e este que vos escreve por cortesia do profissional entrevistado. Por vezes, e não poucas, não atingimos este público em jogos oficiais; por que isso acontece ? Os ingleses ganham mais ? Sim, em termos absolutos, mas podem ter certeza que também em moeda forte são seus gastos e que ao final do treino não havia uma fila de Rolls Royce esperando os torcedores. Quase todos, ao final do evento, se dirigiram para o metrô mais próximo, uns 15o metros no máximo de distância, não sem antes dar uma passada na nada modesta lojinha do clube.

Esse preâmbulo todo serve apenas para colocar alguns assuntos em pauta, curiosamente os que mais apareceu nas conversas na Universidade e nos clubes; nada mais, nada menos que os componentes do marketing mix de serviços é que fazem a diferença : Apresentação (arena) , processos e pessoas.

A arena, definitivamente, não é uma ferramenta de comunicação do clube, mas diz muito sobre ele; a preocupação que os clubes ingleses demonstram em transportar sua "herança" para seus novos estádios mostra que existe uma preocupação em não perder laços históricos e identitários para com o público.

O tratamento de cliente dado ao consumidor do produto esporte, que tal qual qualquer serviço é consumido aonde e quanto produzido, é também uma preocupação constante, a compra, o consumo e as facilidades oferecidas criam o saudável desequilíbrio da balança "paixão X sacrifício". Explicando melhor , se o sacrifício é baixo em ir a um jogo em que tudo funciona tão bem e é tão cômodo, não é necessário haver uma paixão tão grande pelo clube ou pelo esporte, isso abre o leque de possibilidades, aumenta o público potencial, em uma análise bem simplista e longe de completa.

Nada disso se materializa sem o suporte de um pessoal bem treinado e engajado na missão de proporcionar ao consumidor um bom atendimento, desde a bilheteria até o mais humilde, mas não menos importante, funcionário de conservação e limpeza que sim, podem ser vistos em estádios de futebol tal qual como em qualquer sofisticado escritório comercial.

Resumindo essas características principais, estes componentes extras do marketing mix de serviços remetem à, cada vez mais premente, necessidade de prover ao consumidor a melhor EXPERIÊNCIA possível de consumo e do quanto isso se traduz em fidelização, consumo e a sustentabilidade de qualquer operação empresarial, mesmo no futebol que é tão "diferente" como costumam dizer os que, por medo, protegem este ramo de atividade dos administradores profissionais e de formação.

Obrigado à Universidade de Liverpool, ao Everton F.C. e ao Arsenal F.C. pela solidariedade e apoio à minha pesquisa; espero poder aplicar este aprendizado em algo mais que meus textos e pesquisas.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Medalhas de Sangue

Dez dias atrás, parece muito tempo.
Este que vos escreve estava em sua aula, dia feliz e tenso ao mesmo tempo, meus alunos entregando e apresentando seus trabalhos de conclusão de curso de especialização, a última etapa, a elaboração de um plano de negócios depois de longas e combativas orientações, o crescimento e aprendizado na flor da pele, tudo caminhava bem até então.
Fim da primeira apresentação,bom trabalho, alunos e professor orientador felizes. A aparente calma é interrompida por um grito de desepero e um pedido de um aluno assustado pedindo por uma intervenção; a tragédia chegou perto de nós todos, mais perto ainda, desgraçadamente, de uma aluna, companheira no exercício do crescimento pessoal e profissional por meio do aprendizado, uma parente próxima sua estava a bordo do vôo 3054 acidentado em 17 de Julho último.
Notícias desencontradas, o que teria ocorrido ? Alunos acessando a Internet, nossa aluna levada ao departamento médido da escola e depois a sua casa pelos seus colegas de grupo de trabalho, alunos me proporcionavam um briefing do ocorrido, olhares incrédulos, silêncio em classe como nunca havia conseguido; profissionalmente conseguimos continuar nossas atividades, meus alunos e eu, não sem antes de um discurso meu rápido e difícil de concluir, pelo abalo da situação, em que eu disse apenas querer o que mais falta neste país, respeito, acho que eu adivinhava a sucessão de coisas que vinham por aí.
Nos dias seguintes, notícias, entrevistas, especialistas dando seus palpites pra lá e pra cá, imagens, infográficos,etc...
Até que em algum telejornal, aparecem algumas pessoas recebendo medalhas por "relevantes serviços prestados à Aeronáutica brasileira", poucos dias depois, se dois ou três não importa. A VEJA fotgrafando funcionários do INFRAERO conversando animadamente aos risos em frente ao local do acidente, explicações das mais absurdas e a comemoração de Marco Aurélio Garcia ao saber da possibilidade noticiada do acidente ter sido causado por falha mecânica da aeronave.
Medalhas de sangue foram distribuídas a estas incompetentes e insensíveis malogradas tentativas de seres humanos por outros cretinos fardados em uma demonstração clara da importância humana que a classe política dá aos otários pagadores de impostos.
Não entendo de aviões, de pistas, de aeroportos; não sei quem tem culpa, não sei quem falhou, nem vou me aventurar nesta área do conhecimento humano, mas acho que alguém que permite transformar um aeroporto pequeno, antigo e incrustado no coração de uma cidade em uma HUB tão movimentada tem parcela significativa de responsabilidade, para isso não é preciso ter estudado no excelente ITA, é só ter viajado um poquinho aí pelo mundo e comparar. Alguém sabe dizer não às companhias aéreas ou as verbas de campanha, as ameaças de demissões e passagens grátis fazem tudo ficar possível ? Em tempo, isso é apenas uma pergunta que gostaria de não ter que fazer.
A vida me ensinou a entender de gente, de respeito; produto em falta no Brasil faz tempo. Enquanto somos desrespeitados na fila do banco, nos aeroportos, nas ruas e por aqueles que decidem o destino de nossos impostos haverá alguém sendo condecorado com estas malditas medalhas do sangue de nossa gente, de qualquer um de nós. Eu vi, de perto, um reflexo da tragédia, doeu muito, mas o descaso e o riso das autoridades fizeram a dor durar bem mais.
Que pena que este post, em um BLOG destinado aos negócios do esporte, não pôde ter "MEDALHAS DE OURO" como título e tema, que pena.

Todo o meu carinho e solidariedade às famílias das vítimas, que se faça justiça, ao menos esta vez.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

O PAN Começou...eu escolhi o(s) meu(s) lado(s)

O PAN do Rio, do Brasil, começou na última sexta-feira de forma oficial, com uma bonita mas em alguns momentos pouco original festa; sempre defendi que a adesão da população é fator chave de sucesso de uma empreitada deste gênero; a população do Rio de Janeiro parece ter respondido de forma satisfatória e o PAN deve ser um sucesso esportivo; o Brasil, apesar de suas carências imensas em infra-estrutura, em respeito ao cidadão contribuinte e com profundas feridas no campo social, pode realizar um evento deste porte desde que com uma administração, e por que não, uma gestão séria do evento.
Resolvi torcer para o sucesso do PAN por razões muito mais nobres que qualquer conotação de cunho político e demagógico possa denotar; que fique bem claro que o sucesso do PAN não pode nem deve varrer pra debaixo do tapete a vergonha da farra orçamentária e todos os favorecimentos aos amigos que ocorreram na construção e reforma do parque esportivo todo e o estouro de 600% , 700% ou 800% do orçamento (cada um que faz a conta chega a um número diferente); para quem quiser saber mais sobre o lado podre deste evento recomendo a visita a este BLOG http://averdadedopan2007.blogspot.com/; leitura obrigatória para quem quer saber de toda a tradicional e inaceitável gama de maracutaias que cercou a competição.
Que ninguém pense que estou fazendo o jogo da maracutaia, terminado o PAN , gostaria de ver profundas investigações a respeito da farra orçamentária e eleitoreira e que os culpados sejam severamente punidos, roupa suja se lava em casa e com detergente e alvejante bem abrasivos, é isso que esperam os contribuintes; as vaias ao Presidente da República e sua fuga em abrir oficialmente os jogos viraram manchete, típica e já esperada falta de saber conviver de forma democrática, um recadinho....popularidade não se mede em eventos partidários controlados e sim em enfrentar a opinião pública sem "script" e sem animador de auditório; obrigado ao povo do Rio, se a capital fosse ali ainda creio que os destinos do país teriam um viés mais inspirador que os escândalos atuais sugerem.
Voltando ao tema, escolhi torcer pelo sucesso do PAN pensando em quem menos se pensou ao realizar um evento deste porte, nos atletas brasileiros e nos estrangeiros, nossos hóspedes; penso nas dificuldades que cada um deles tem em conseguir patrocínio, em treinar em locais e com aparelhagem adequados, nas dificuldades em sobreviver deste quase sacerdócio que é o esporte menos popularizado, negligênciado pela mídia e pela edução pública, é neles que penso e torço para que o PAN traga um pouco de luz sobre estes abnegados e que eles ganhem espaço e oportunidades. A luta é inglória, mas pode ser o começo de uma transformação, se quisermos ser uma potência esportiva, mas talvez isso afete os feudos das confederações e não renda votos aos políticos, por isso não decola.
Um dia o PAN acaba e tudo leva a crer que os esportes de menor cobertura voltam ao seu habitual ostracismo e às dificuldades decorrentes, que pena, quero ouvir falar do Diogo do Tae-kwon-do e de seus colegas, quero vê-los, dentre outros e de outras modalidades, dando coletivas cheios de patches de patrocinadores felizes, mas não sei se isso vai acontecer; quero ver aulas de educação física na rede pública bem diferentes de apenas jogar uma bola no meio da quadra para quarenta meninos correrem atrás dela feito loucos, mas como exigir isso da fábrica de analfabetos em que, deliberadamente, se transformou a educação pública ?
O PAN deveria ser esta semente, para fomentar o esporte como atividade sustentável e saudável para a sociedade como um todo, mas tenho medo que seja apenas mais uma forma de enriquecimento financeiro e eleitoral de alguns, como sempre, mas isso tem que mudar.
Não, ministro, as vaias não foram orquestradas, foi apenas um desabafo de uma sociedade cansada de pagar a conta indigesta de mais uma aventura sinistra; a Copa de 2014 vem aí. Prepare os ouvidos e o bolso.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Novos autódromos por aí, tem gente querendo investir!!

Pouco se fala do nosso automobilismo, o império da fórmula 1 na mídia se faz presente e se faz notar no imenso espaço que é destinado ao automobilismo nos diversos veículos de comunicação; não os culpo, é esta categoria que atrai a maior atenção deste público, sobretudo com Felipe Massa competindo em alto nível sendo candidato ao título por uma escuderia tão emblemática como a Ferrari.
A pesquisa Dossiê Esporte, realizada pela IPSOS e pelo SPORTV de excelente qualidade, dá conta que dos brasileiros que acompanham esporte pela mídia aproximados 18% deles declaram acompanhar o automobilismo; o futebol, campeão absoluto, como seria de imaginar, aparece com esmagadores 81% da preferência deste público, menções honrosas para o nosso vôlei (34%) e o basquete (12%), a dúvida que fica em relação ao basquete é se este público não se refere à NBA, sobrando para as nossas ligas apenas migalhas de audiência, quem souber fazer esta segmentação, fique à vontade em esclarecer.
Pois bem, em conversa informais e até propostas de negócio a este humilde pesquisador eis que surgem algumas propostas de construção e exploração de autódromosmodernos e que atendem às normas internacionais em diversas regiões do Brasil. Os mais conhecidos projetos se localizam em raio de, aproximados, sessenta quilômteros do centro da cidade de São Paulo; bairrismos e paixões a parte, a capital do automobilismo brasileiro apesar da lenta agonia do nosso Interlagos.
Fala-se de um autódromo na região de Guarulhos cuja força principal seria a localização, próxima ao aeroporto e da Capital do Estado; o que vejo como fraquezas é que haveira dinheiro público, o que não me deixa muito confortável por razões óbvias. Outro empreendimento seria na região de Cabreúva onde se aportaria o conceito de um centro automobilístico, com um entorno recheado de serviços como centros comerciais, um condomínio de alto padrão com golf club dentre outras promessas.
Me chama a atenção o interesse de investimentos deste porte, o automobilismo brasileiro tem qualidade, gente boa, abnegada e honesta; mas convenhamos, nas categorias menos presentes na mídia, o pessoal está vendendo parafuso para comprar pneu, a coisa não anda fácil, é só alguém se aventurar em obter patrocínio e sentir na pele as dificuldades.
Eu sempre defendi que o nosos automobilismo viveu uma "quasi" oportunidade que poderia ter sido melhor aproveitada, se é que daria; enquanto o automobilismo mundial sempre teve como forte fonte de renda o patrocínio do tabaco, banida pelas leis européias, o nosso autombilismo nunca teve esse aporte, basicamente tivemos apoio das petroleiras, dos laboratórios farmacêuticos e da indústria automobilística em geral, sejam montadoras ou fornecedoras de peças de reposição, o ponto é, nunca tivemos que passar por essa transição, aí residia a oportunidade.
O que motivou esse post é a minha orientação de pesquisa que remete ao estudo de viabilidade de construção e exploração de espaços de prática esportiva , confesso que não tenho grandes elementos para conduzir estudos sobre autódromos, as informações são mais difíceis de obter, o meu vínculo com o automobilismo me convida a tal desafio.
No último domingo, assistia à etapa de Fortaleza-CE da Fórmula Truck, categoria que tem média de público presencial espetacular, digna de Fórmula 1 e Stock Car, além de uma organização espetacular . O narrador anunciou, diversas vezes, que a categoria está procurando empresários e proprietários de terrenos no entorno da cidade de São Paulo para tornar viável um projeto de autódromo nesta região, foi fornecido um endereço de e-mail para contato; a seriedade da organização da categoria não deixa margem a dúvida alguma, a proposta é tão séria quanto profissional, a Fórmula Truck pensa grande e este pensar grande me enche de esperanças e faz crer, ainda mais, que a transformação em como administramos os negócios do esporte no Brasil é possível e já começou.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

A incessante questão dos Estádios....e mais...

Diversos colegas, além deste que vos escreve, tem participado de diversas conversas a respeito da viabilidade de construir e reformar arenas esportivas no Brasil. Esta conversa tem um motivador especial e pontual que é a discussão sobre a, já sacramentada candidatura do Brasil a sede da Copa de 2014, além deste tema que provoca as mais apaixonadas discussões há o tema da profissionalização da administração do futebol sob um viés mercadológico, onde uma eventual arena passa a ser vista como um centro de receitas transcendendo o aspecto apenas funcional que sempre lhe foi relegado, com este post, coloco de forma resumidíssima a minha visão sobre este tema que ainda vai queimar muita pestana e vai gerar muitas planilhas e textos. A resposta à estas perguntas mágicas, vindas de pautas que ajudei a rechear com minhas humildes contribuições, são o fruto de idéias trocadas, artigos, trabalhos acadêmicos com e por um monte de gente boa com quem tenho o prazer de conviver..

É viável construir ou reformar um estádio?

Isto tem que ser analisado caso a caso; temos estádios muito antigos ou que simplesmente foram concebidos nos padrões funcionais e normas de segurança da época.

Existem estádios que, todavia, podem ser adequados às exigências da FIFA, em se tratando de Copa do Mundo de 2014 no Brasil, como o Morumbi, por exemplo, que já conta com projeto feito e orçado, o estádio do Atlético do Paraná e alguns outros poucos.

O que me chama a atenção é que logo que se começou a cogitar a candidatura brasileira para ser sede da Copa de 2014, o governo já começou a se manifestar que seriam necessários doze estádios totalmente novos em diversos pontos do Brasil.

A Copa da Alemanha, em 2006, teve seus jogos sediados em 12 arenas, cinco novas ou recém construídas; receio que não se fez um estudo detalhado das condições dos estádios que temos no Brasil. Como sempre, no Brasil, a coisa toma ares políticos e os estádios passam a ser, de alguma forma, vistos como oportunidades para políticos e dirigentes esportivos deixarem monumentos aos seus “reinados”, sem nenhuma preocupação mercadológica que lhe dê sustentabilidade.

Quando se fala em construir um estádio novo, diversos aspectos devem ser levados em consideração; não cabem mais construções monumentais onde o Estado se mostra como o grande provedor dos espaços de convivência atendendo clamores de uma ou outra comunidade.

Os estádios se transformaram em centros de receita para os clubes com sua diversificada utilização que cria, por conseqüência, o conceito de arenas multiuso. E é por esse viés que a construção ou reforma se fazem viáveis, porém, nenhum investimento desta natureza, ligado ao futebol, se sustenta por si só.

O produto futebol precisa ser reformulado, acredita-se que o produto futebol é única e simplesmente o que está dentro de campo, este é um paradigma que precisa ser quebrado; o produto futebol precisa ser visto em todo seu entorno e ter atividades configuradas para atrair um público capaz de gerar um público e tíquete médios bem maior que atualmente se consegue.

Um exemplo rápido, uma pesquisa que fiz nos leva a crer que um tíquete médio líquido ideal seria de aproximados 35 reais a uma taxa de ocupação de 75% para que, somado à receitas de naming rights, locação de espaços comerciais e utilização das arenas para shows e outras atividades, uma arena atinja seu ponto de equilíbrio em aproximados 12 anos, com as receitas atuais o retorno do investimento se dá em mais de 20 anos. Lembremo-nos, no entanto, que a própria FIFA não acredita que um estádio tenha vida útil maior que 30 anos dado o avanço tecnológico constante e ajuste das demandas do público.

Desta forma, para obter viabilidade, é preciso mais que construir arenas, o produto futebol precisa alcançar outros públicos e a forma de exploração das arenas precisa mudar e muito. Caso o modelo de exploração não mude, não é viável nem construir e nem reformar.

Como funcionam regimes de parceria com investidores estrangeiros? (apenas sobre construção e exploração de arenas, não é co-gestão de clube, sobre isso só escrevo quando eu ler algum contrato destes)

Este modelo de negócio não tem contornos claros, ao menos do que se pretende no Brasil. De uma forma geral, empreendimentos desta maneira funcionam da seguinte forma: o investidor constrói a arena e se associa a um ou mais clubes da região com o compromisso de que estes promovam jogos de seu mando nesta arena.

O investidor retém um percentual da renda líquida, 30% a 50%, para remuneração de seu investimento e explora a arena de outras maneiras a gerar receitas perenes por outras fontes, dentre as quais as já citadas como naming rights, a locação de espaços comerciais para lojas, restaurantes, salas de convenções e até escritórios. Ao final de um determinado tempo estabelecido em contrato, os clubes, ou um deles pode adquirir o bem pelo valor residual passando a administrá-lo o que significa assumir seus custos de manutenção e dos tributos devidos.

Este modelo encontra respaldo na atual situação financeira da maioria dos clubes brasileiros, endividados e com uma estrutura de custos incompatível com as suas receitas tornando a operação de boa parte dos clubes deficitária.

O que os clubes ganham com isso?

O clube ganha um domicílio esportivo moderno e atualizado, que em caso de exclusividade contratual, pode ser customizado de acordo com as características atuais ou desejadas sem ter que investir o montante necessário para construir uma nova arena; trata-se de uma oportunidade de modernizar instalações onde recebe seu público e, de novo, trazer para seus jogos um público mais interessante no aspecto de geração de receitas por meio destas melhores acomodações e serviços de conveniência associados correspondente ao setor que o espectador ocupa.

O outro lado da moeda é que suas arrecadações serão sempre reduzidas posto que o investidor reterá o que lhe cabe em contrato.

Como essa transformação deve se refletir para os torcedores?

Para o torcedor, o ganho é amplo, as instalações modernas seguirão padrões de conforto e segurança atuais cuja origem vem da Inglaterra, onde a onda neo liberal do governo Tatcher e a preocupação em conter a violência, equiparou o torcedor de futebol a um consumidor de qualquer outro produto e serviço que demanda conforto e conveniência além de concepções arquitetônicas, como a setorização, que desestimulam a propagação de um eventual conflito. Se bem concebidas, as arenas podem representar uma opção de entretenimento completa e segura, com a locação de espaços comerciais, o torcedor pode ter ali um leque de opções completo de lazer, mais ou menos o que representam os shopping centers hoje, só que somando a isso a emoção de um evento esportivo. O que pode, dados aspectos culturais, acontecer é o público não se identificar com a arena como sendo o domicílio de seu clube e a resposta do público não acontecer, mas acredito em um amadurecimento deste.

sábado, 30 de junho de 2007

Chega de "sempre foi assim" e de "Isso não muda nunca!!"

Caros "bloggers", começo minha aventura nesta nova forma de expressão com um convite à reflexão. As pessoas mais próximas bem sabem que estou a conduzir uma pesquisa de caráter académico em que, sob a luz das teorias da escola do posicionamento na área de planejamento estratégico e do marketing de serviços, procuro fazer uma diagnóstico da realidade do ambiente de negócios do futebol brasileiro e de cujo estudo deverão sair algumas proposições para a melhoria deste quadro.
Fico feliz ao ver que esta não é uma preocupação só minha, aliás, é uma preocupação que já vem de alguns anos tendo como resultado alguns trabalhos muito interessantes já publicados por gente de peso como, por exemplo, Antônio Carlos Kfouri Aidar, Marvio Pereira Leoncini, João José de Oliveira dentre outros não menos importantes.
A própria televisão, por vezes tida como grande vilã de forma injusta, tem aberto espaços em sua programação para discussões para o que ocorre fora das quatro linhas em nível elevado.
Pesquisadores, consultores e profissionais especialistas em algum ramo próximo da administração desportiva se manifestam em crônicas em um misto de proposição e crítica com o intuíto de contribuir para o fortalecimento deste ramo de atividade; novamente, espaços para tal não faltam desde nas publicações impressas até na Internet, projetos de qualidade como a Máquina do Esporte, Cidade do Futebol dentre outros tem sinalizado, por meio de seus colaboradores, a necessidade de ver o esporte com olhos profissionais e como uma atividade econômica que pode ser rentável e sustentável, portanto.
Tudo muito positivo e simpático e com tudo pra dar certo, gente boa, talentosa, independente até que o senso comum aparece, com toda a sua inexorabilidade mórbida e as frases título deste post aparecem... que triste isso !! O discurso é tão confortável quanto o imobilismo; inúmeras razões para justificar, de forma comprovada, que o futebol sempre foi assim e que não muda, que a maioria dos clubes são organizações políticas, administradas por pessoas sem o devido preparo e que o público aceita ser tratado como gado no entorno de um estádio e dentro dele e, mais importante, somos um país pobre e não podemos ter estádios, clubes bem administrados como na Europa enfim, o futebol é assim mesmo e não adianta reclamar e nem propor, que ninguém vai te ouvir.
Cansaço de alma em ouvir essa ladainha à parte, reforço, em nome de todos os colegas que militam nesse ramo se me permitem, claro, seja na consultoria, na pesquisa, na geração de conteúdo mediático dentre outras atividades, que é necessário que continuemos a diagnosticar problemas, investigar suas causas e propor melhorias, que não precisam custar milhões de dólares ou euros para se concretizarem, para a sustentabilidade do nosso futebol.
Convido os amigos e quem quiser pra participar dessa nossa viagem, que não pretende competir com outros veículos, isto é e continuará sendo um blog, não é um centro de estudos nem um portal de notícias; este é um caminho de duas vias, participe!