segunda-feira, 16 de julho de 2007

O PAN Começou...eu escolhi o(s) meu(s) lado(s)

O PAN do Rio, do Brasil, começou na última sexta-feira de forma oficial, com uma bonita mas em alguns momentos pouco original festa; sempre defendi que a adesão da população é fator chave de sucesso de uma empreitada deste gênero; a população do Rio de Janeiro parece ter respondido de forma satisfatória e o PAN deve ser um sucesso esportivo; o Brasil, apesar de suas carências imensas em infra-estrutura, em respeito ao cidadão contribuinte e com profundas feridas no campo social, pode realizar um evento deste porte desde que com uma administração, e por que não, uma gestão séria do evento.
Resolvi torcer para o sucesso do PAN por razões muito mais nobres que qualquer conotação de cunho político e demagógico possa denotar; que fique bem claro que o sucesso do PAN não pode nem deve varrer pra debaixo do tapete a vergonha da farra orçamentária e todos os favorecimentos aos amigos que ocorreram na construção e reforma do parque esportivo todo e o estouro de 600% , 700% ou 800% do orçamento (cada um que faz a conta chega a um número diferente); para quem quiser saber mais sobre o lado podre deste evento recomendo a visita a este BLOG http://averdadedopan2007.blogspot.com/; leitura obrigatória para quem quer saber de toda a tradicional e inaceitável gama de maracutaias que cercou a competição.
Que ninguém pense que estou fazendo o jogo da maracutaia, terminado o PAN , gostaria de ver profundas investigações a respeito da farra orçamentária e eleitoreira e que os culpados sejam severamente punidos, roupa suja se lava em casa e com detergente e alvejante bem abrasivos, é isso que esperam os contribuintes; as vaias ao Presidente da República e sua fuga em abrir oficialmente os jogos viraram manchete, típica e já esperada falta de saber conviver de forma democrática, um recadinho....popularidade não se mede em eventos partidários controlados e sim em enfrentar a opinião pública sem "script" e sem animador de auditório; obrigado ao povo do Rio, se a capital fosse ali ainda creio que os destinos do país teriam um viés mais inspirador que os escândalos atuais sugerem.
Voltando ao tema, escolhi torcer pelo sucesso do PAN pensando em quem menos se pensou ao realizar um evento deste porte, nos atletas brasileiros e nos estrangeiros, nossos hóspedes; penso nas dificuldades que cada um deles tem em conseguir patrocínio, em treinar em locais e com aparelhagem adequados, nas dificuldades em sobreviver deste quase sacerdócio que é o esporte menos popularizado, negligênciado pela mídia e pela edução pública, é neles que penso e torço para que o PAN traga um pouco de luz sobre estes abnegados e que eles ganhem espaço e oportunidades. A luta é inglória, mas pode ser o começo de uma transformação, se quisermos ser uma potência esportiva, mas talvez isso afete os feudos das confederações e não renda votos aos políticos, por isso não decola.
Um dia o PAN acaba e tudo leva a crer que os esportes de menor cobertura voltam ao seu habitual ostracismo e às dificuldades decorrentes, que pena, quero ouvir falar do Diogo do Tae-kwon-do e de seus colegas, quero vê-los, dentre outros e de outras modalidades, dando coletivas cheios de patches de patrocinadores felizes, mas não sei se isso vai acontecer; quero ver aulas de educação física na rede pública bem diferentes de apenas jogar uma bola no meio da quadra para quarenta meninos correrem atrás dela feito loucos, mas como exigir isso da fábrica de analfabetos em que, deliberadamente, se transformou a educação pública ?
O PAN deveria ser esta semente, para fomentar o esporte como atividade sustentável e saudável para a sociedade como um todo, mas tenho medo que seja apenas mais uma forma de enriquecimento financeiro e eleitoral de alguns, como sempre, mas isso tem que mudar.
Não, ministro, as vaias não foram orquestradas, foi apenas um desabafo de uma sociedade cansada de pagar a conta indigesta de mais uma aventura sinistra; a Copa de 2014 vem aí. Prepare os ouvidos e o bolso.