Pouco se fala do nosso automobilismo, o império da fórmula 1 na mídia se faz presente e se faz notar no imenso espaço que é destinado ao automobilismo nos diversos veículos de comunicação; não os culpo, é esta categoria que atrai a maior atenção deste público, sobretudo com Felipe Massa competindo em alto nível sendo candidato ao título por uma escuderia tão emblemática como a Ferrari.
A pesquisa Dossiê Esporte, realizada pela IPSOS e pelo SPORTV de excelente qualidade, dá conta que dos brasileiros que acompanham esporte pela mídia aproximados 18% deles declaram acompanhar o automobilismo; o futebol, campeão absoluto, como seria de imaginar, aparece com esmagadores 81% da preferência deste público, menções honrosas para o nosso vôlei (34%) e o basquete (12%), a dúvida que fica em relação ao basquete é se este público não se refere à NBA, sobrando para as nossas ligas apenas migalhas de audiência, quem souber fazer esta segmentação, fique à vontade em esclarecer.
Pois bem, em conversa informais e até propostas de negócio a este humilde pesquisador eis que surgem algumas propostas de construção e exploração de autódromosmodernos e que atendem às normas internacionais em diversas regiões do Brasil. Os mais conhecidos projetos se localizam em raio de, aproximados, sessenta quilômteros do centro da cidade de São Paulo; bairrismos e paixões a parte, a capital do automobilismo brasileiro apesar da lenta agonia do nosso Interlagos.
Fala-se de um autódromo na região de Guarulhos cuja força principal seria a localização, próxima ao aeroporto e da Capital do Estado; o que vejo como fraquezas é que haveira dinheiro público, o que não me deixa muito confortável por razões óbvias. Outro empreendimento seria na região de Cabreúva onde se aportaria o conceito de um centro automobilístico, com um entorno recheado de serviços como centros comerciais, um condomínio de alto padrão com golf club dentre outras promessas.
Me chama a atenção o interesse de investimentos deste porte, o automobilismo brasileiro tem qualidade, gente boa, abnegada e honesta; mas convenhamos, nas categorias menos presentes na mídia, o pessoal está vendendo parafuso para comprar pneu, a coisa não anda fácil, é só alguém se aventurar em obter patrocínio e sentir na pele as dificuldades.
Eu sempre defendi que o nosos automobilismo viveu uma "quasi" oportunidade que poderia ter sido melhor aproveitada, se é que daria; enquanto o automobilismo mundial sempre teve como forte fonte de renda o patrocínio do tabaco, banida pelas leis européias, o nosso autombilismo nunca teve esse aporte, basicamente tivemos apoio das petroleiras, dos laboratórios farmacêuticos e da indústria automobilística em geral, sejam montadoras ou fornecedoras de peças de reposição, o ponto é, nunca tivemos que passar por essa transição, aí residia a oportunidade.
O que motivou esse post é a minha orientação de pesquisa que remete ao estudo de viabilidade de construção e exploração de espaços de prática esportiva , confesso que não tenho grandes elementos para conduzir estudos sobre autódromos, as informações são mais difíceis de obter, o meu vínculo com o automobilismo me convida a tal desafio.
No último domingo, assistia à etapa de Fortaleza-CE da Fórmula Truck, categoria que tem média de público presencial espetacular, digna de Fórmula 1 e Stock Car, além de uma organização espetacular . O narrador anunciou, diversas vezes, que a categoria está procurando empresários e proprietários de terrenos no entorno da cidade de São Paulo para tornar viável um projeto de autódromo nesta região, foi fornecido um endereço de e-mail para contato; a seriedade da organização da categoria não deixa margem a dúvida alguma, a proposta é tão séria quanto profissional, a Fórmula Truck pensa grande e este pensar grande me enche de esperanças e faz crer, ainda mais, que a transformação em como administramos os negócios do esporte no Brasil é possível e já começou.
quarta-feira, 4 de julho de 2007
segunda-feira, 2 de julho de 2007
A incessante questão dos Estádios....e mais...
Diversos colegas, além deste que vos escreve, tem participado de diversas conversas a respeito da viabilidade de construir e reformar arenas esportivas no Brasil. Esta conversa tem um motivador especial e pontual que é a discussão sobre a, já sacramentada candidatura do Brasil a sede da Copa de 2014, além deste tema que provoca as mais apaixonadas discussões há o tema da profissionalização da administração do futebol sob um viés mercadológico, onde uma eventual arena passa a ser vista como um centro de receitas transcendendo o aspecto apenas funcional que sempre lhe foi relegado, com este post, coloco de forma resumidíssima a minha visão sobre este tema que ainda vai queimar muita pestana e vai gerar muitas planilhas e textos. A resposta à estas perguntas mágicas, vindas de pautas que ajudei a rechear com minhas humildes contribuições, são o fruto de idéias trocadas, artigos, trabalhos acadêmicos com e por um monte de gente boa com quem tenho o prazer de conviver..
É viável construir ou reformar um estádio?
Isto tem que ser analisado caso a caso; temos estádios muito antigos ou que simplesmente foram concebidos nos padrões funcionais e normas de segurança da época.
Existem estádios que, todavia, podem ser adequados às exigências da FIFA, em se tratando de Copa do Mundo de 2014 no Brasil, como o Morumbi, por exemplo, que já conta com projeto feito e orçado, o estádio do Atlético do Paraná e alguns outros poucos.
O que me chama a atenção é que logo que se começou a cogitar a candidatura brasileira para ser sede da Copa de 2014, o governo já começou a se manifestar que seriam necessários doze estádios totalmente novos em diversos pontos do Brasil.
A Copa da Alemanha, em 2006, teve seus jogos sediados em 12 arenas, cinco novas ou recém construídas; receio que não se fez um estudo detalhado das condições dos estádios que temos no Brasil. Como sempre, no Brasil, a coisa toma ares políticos e os estádios passam a ser, de alguma forma, vistos como oportunidades para políticos e dirigentes esportivos deixarem monumentos aos seus “reinados”, sem nenhuma preocupação mercadológica que lhe dê sustentabilidade.
Quando se fala em construir um estádio novo, diversos aspectos devem ser levados em consideração; não cabem mais construções monumentais onde o Estado se mostra como o grande provedor dos espaços de convivência atendendo clamores de uma ou outra comunidade.
Os estádios se transformaram em centros de receita para os clubes com sua diversificada utilização que cria, por conseqüência, o conceito de arenas multiuso. E é por esse viés que a construção ou reforma se fazem viáveis, porém, nenhum investimento desta natureza, ligado ao futebol, se sustenta por si só.
O produto futebol precisa ser reformulado, acredita-se que o produto futebol é única e simplesmente o que está dentro de campo, este é um paradigma que precisa ser quebrado; o produto futebol precisa ser visto em todo seu entorno e ter atividades configuradas para atrair um público capaz de gerar um público e tíquete médios bem maior que atualmente se consegue.
Um exemplo rápido, uma pesquisa que fiz nos leva a crer que um tíquete médio líquido ideal seria de aproximados 35 reais a uma taxa de ocupação de 75% para que, somado à receitas de naming rights, locação de espaços comerciais e utilização das arenas para shows e outras atividades, uma arena atinja seu ponto de equilíbrio em aproximados 12 anos, com as receitas atuais o retorno do investimento se dá em mais de 20 anos. Lembremo-nos, no entanto, que a própria FIFA não acredita que um estádio tenha vida útil maior que 30 anos dado o avanço tecnológico constante e ajuste das demandas do público.
Desta forma, para obter viabilidade, é preciso mais que construir arenas, o produto futebol precisa alcançar outros públicos e a forma de exploração das arenas precisa mudar e muito. Caso o modelo de exploração não mude, não é viável nem construir e nem reformar.
Como funcionam regimes de parceria com investidores estrangeiros? (apenas sobre construção e exploração de arenas, não é co-gestão de clube, sobre isso só escrevo quando eu ler algum contrato destes)
Este modelo de negócio não tem contornos claros, ao menos do que se pretende no Brasil. De uma forma geral, empreendimentos desta maneira funcionam da seguinte forma: o investidor constrói a arena e se associa a um ou mais clubes da região com o compromisso de que estes promovam jogos de seu mando nesta arena.
O investidor retém um percentual da renda líquida, 30% a 50%, para remuneração de seu investimento e explora a arena de outras maneiras a gerar receitas perenes por outras fontes, dentre as quais as já citadas como naming rights, a locação de espaços comerciais para lojas, restaurantes, salas de convenções e até escritórios. Ao final de um determinado tempo estabelecido em contrato, os clubes, ou um deles pode adquirir o bem pelo valor residual passando a administrá-lo o que significa assumir seus custos de manutenção e dos tributos devidos.
Este modelo encontra respaldo na atual situação financeira da maioria dos clubes brasileiros, endividados e com uma estrutura de custos incompatível com as suas receitas tornando a operação de boa parte dos clubes deficitária.
O que os clubes ganham com isso?
O clube ganha um domicílio esportivo moderno e atualizado, que em caso de exclusividade contratual, pode ser customizado de acordo com as características atuais ou desejadas sem ter que investir o montante necessário para construir uma nova arena; trata-se de uma oportunidade de modernizar instalações onde recebe seu público e, de novo, trazer para seus jogos um público mais interessante no aspecto de geração de receitas por meio destas melhores acomodações e serviços de conveniência associados correspondente ao setor que o espectador ocupa.
O outro lado da moeda é que suas arrecadações serão sempre reduzidas posto que o investidor reterá o que lhe cabe em contrato.
Como essa transformação deve se refletir para os torcedores?
Para o torcedor, o ganho é amplo, as instalações modernas seguirão padrões de conforto e segurança atuais cuja origem vem da Inglaterra, onde a onda neo liberal do governo Tatcher e a preocupação em conter a violência, equiparou o torcedor de futebol a um consumidor de qualquer outro produto e serviço que demanda conforto e conveniência além de concepções arquitetônicas, como a setorização, que desestimulam a propagação de um eventual conflito. Se bem concebidas, as arenas podem representar uma opção de entretenimento completa e segura, com a locação de espaços comerciais, o torcedor pode ter ali um leque de opções completo de lazer, mais ou menos o que representam os shopping centers hoje, só que somando a isso a emoção de um evento esportivo. O que pode, dados aspectos culturais, acontecer é o público não se identificar com a arena como sendo o domicílio de seu clube e a resposta do público não acontecer, mas acredito em um amadurecimento deste.
É viável construir ou reformar um estádio?
Isto tem que ser analisado caso a caso; temos estádios muito antigos ou que simplesmente foram concebidos nos padrões funcionais e normas de segurança da época.
Existem estádios que, todavia, podem ser adequados às exigências da FIFA, em se tratando de Copa do Mundo de 2014 no Brasil, como o Morumbi, por exemplo, que já conta com projeto feito e orçado, o estádio do Atlético do Paraná e alguns outros poucos.
O que me chama a atenção é que logo que se começou a cogitar a candidatura brasileira para ser sede da Copa de 2014, o governo já começou a se manifestar que seriam necessários doze estádios totalmente novos em diversos pontos do Brasil.
A Copa da Alemanha, em 2006, teve seus jogos sediados em 12 arenas, cinco novas ou recém construídas; receio que não se fez um estudo detalhado das condições dos estádios que temos no Brasil. Como sempre, no Brasil, a coisa toma ares políticos e os estádios passam a ser, de alguma forma, vistos como oportunidades para políticos e dirigentes esportivos deixarem monumentos aos seus “reinados”, sem nenhuma preocupação mercadológica que lhe dê sustentabilidade.
Quando se fala em construir um estádio novo, diversos aspectos devem ser levados em consideração; não cabem mais construções monumentais onde o Estado se mostra como o grande provedor dos espaços de convivência atendendo clamores de uma ou outra comunidade.
Os estádios se transformaram em centros de receita para os clubes com sua diversificada utilização que cria, por conseqüência, o conceito de arenas multiuso. E é por esse viés que a construção ou reforma se fazem viáveis, porém, nenhum investimento desta natureza, ligado ao futebol, se sustenta por si só.
O produto futebol precisa ser reformulado, acredita-se que o produto futebol é única e simplesmente o que está dentro de campo, este é um paradigma que precisa ser quebrado; o produto futebol precisa ser visto em todo seu entorno e ter atividades configuradas para atrair um público capaz de gerar um público e tíquete médios bem maior que atualmente se consegue.
Um exemplo rápido, uma pesquisa que fiz nos leva a crer que um tíquete médio líquido ideal seria de aproximados 35 reais a uma taxa de ocupação de 75% para que, somado à receitas de naming rights, locação de espaços comerciais e utilização das arenas para shows e outras atividades, uma arena atinja seu ponto de equilíbrio em aproximados 12 anos, com as receitas atuais o retorno do investimento se dá em mais de 20 anos. Lembremo-nos, no entanto, que a própria FIFA não acredita que um estádio tenha vida útil maior que 30 anos dado o avanço tecnológico constante e ajuste das demandas do público.
Desta forma, para obter viabilidade, é preciso mais que construir arenas, o produto futebol precisa alcançar outros públicos e a forma de exploração das arenas precisa mudar e muito. Caso o modelo de exploração não mude, não é viável nem construir e nem reformar.
Como funcionam regimes de parceria com investidores estrangeiros? (apenas sobre construção e exploração de arenas, não é co-gestão de clube, sobre isso só escrevo quando eu ler algum contrato destes)
Este modelo de negócio não tem contornos claros, ao menos do que se pretende no Brasil. De uma forma geral, empreendimentos desta maneira funcionam da seguinte forma: o investidor constrói a arena e se associa a um ou mais clubes da região com o compromisso de que estes promovam jogos de seu mando nesta arena.
O investidor retém um percentual da renda líquida, 30% a 50%, para remuneração de seu investimento e explora a arena de outras maneiras a gerar receitas perenes por outras fontes, dentre as quais as já citadas como naming rights, a locação de espaços comerciais para lojas, restaurantes, salas de convenções e até escritórios. Ao final de um determinado tempo estabelecido em contrato, os clubes, ou um deles pode adquirir o bem pelo valor residual passando a administrá-lo o que significa assumir seus custos de manutenção e dos tributos devidos.
Este modelo encontra respaldo na atual situação financeira da maioria dos clubes brasileiros, endividados e com uma estrutura de custos incompatível com as suas receitas tornando a operação de boa parte dos clubes deficitária.
O que os clubes ganham com isso?
O clube ganha um domicílio esportivo moderno e atualizado, que em caso de exclusividade contratual, pode ser customizado de acordo com as características atuais ou desejadas sem ter que investir o montante necessário para construir uma nova arena; trata-se de uma oportunidade de modernizar instalações onde recebe seu público e, de novo, trazer para seus jogos um público mais interessante no aspecto de geração de receitas por meio destas melhores acomodações e serviços de conveniência associados correspondente ao setor que o espectador ocupa.
O outro lado da moeda é que suas arrecadações serão sempre reduzidas posto que o investidor reterá o que lhe cabe em contrato.
Como essa transformação deve se refletir para os torcedores?
Para o torcedor, o ganho é amplo, as instalações modernas seguirão padrões de conforto e segurança atuais cuja origem vem da Inglaterra, onde a onda neo liberal do governo Tatcher e a preocupação em conter a violência, equiparou o torcedor de futebol a um consumidor de qualquer outro produto e serviço que demanda conforto e conveniência além de concepções arquitetônicas, como a setorização, que desestimulam a propagação de um eventual conflito. Se bem concebidas, as arenas podem representar uma opção de entretenimento completa e segura, com a locação de espaços comerciais, o torcedor pode ter ali um leque de opções completo de lazer, mais ou menos o que representam os shopping centers hoje, só que somando a isso a emoção de um evento esportivo. O que pode, dados aspectos culturais, acontecer é o público não se identificar com a arena como sendo o domicílio de seu clube e a resposta do público não acontecer, mas acredito em um amadurecimento deste.
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