segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O Corinthians caiu - E agora ? Algumas recomendações pro futuro....

Fruto de uma administração confusa e cercada de suspeitas, de uma infra-estrutura deficiente e de nenhum planejamento, acontece a queda do Corinthians para a série B do futebol nacional, não é a primeira vez que um clube dito grande cai, é verdade, mas quando o clube de segunda maior torcida tem um revés deste tipo as estruturas se abalam, e o negócio futebol brasileiro também.

Em primeiro lugar, o provável valor econômico de um Campeonato Brasileiro, em sua primeira divisão, cai razoavelmente; o anunciante quererá pagar as mesmas cotas de publicidade para a emissora de televisão em um campeonato que, claramente terá menor interesse ? Falemos apenas quantitativamente, é uma grande torcida cujos mais fanáticos não vão chegar perto da televisão, falamos de alguns milhões de pessoas. Eu não pagaria, perdem todos, mas aconteceu e não é essa a justificativa, mas a série B, de menor visibilidade mas de grande força e potencial, agradece.

Certamente a emissora de TV dará um jeito; como fonte de receita predominante e absurdo poder de negociação, novas datas e horas de jogos surgirão no calendario da série B.

Agora, voltando ao clube em si, como voltar em grande estilo ? Como fazer do problema uma grande lição? Algumas humildes sugestões:



1. Aproximar o torcedor do clube : O torcedor precisa se transformar em consumidor, como fazer isso em momento de baixa ? Deve-se buscar resgatar a identificação do torcedor com o clube, convidá-lo para ser parte, e isso é importante, de um projeto digno de reconstrução e de retomada de caminhos mais gloriosos. Isso, para simplificar, começa por um projeto sério de comunicação que reforce os aspectos de identifícação com o clube e de inserção social que só o esporte proporciona, além de produtos configurados para este aprofundamento. Parece fácil, mas um dos fatores chave de sucesso mais importantes é a CREDIBILIDADE; o público precisa ter essa confiança, caso contrário, o abandono da idéia vem a galope.

2. O aproximar o torcedor do clube passa por eliminar intermediários, deve-se criar canal direto de comunicação com o torcedor, falo do torcedor comum, daquele que, individualmente decide o grau de adesão em relação ao clube que segue, não do torcedor organizado. Essa aproximação vem de uma melhora da experiência em acompanhar o time, por mais tênue que seja. Programas sócio torcedor, com smart cards, pacotes exclusivos dentre outros benefícios podem gerar uma perene fonte de receitas e um maior grau de relacionamento.

3. Trabalhar para reduzir o poder das torcidas organizadas. A torcida organizada é um verdadeiro tumor maligno instalado em órgãos vitais do futebol brasileiro. Estas entidades expulsam os torcedores individuais e suas famílias dos estádios, usam a marca e identidade visual do clube para obtenção de benefício econômico transformando-se em produtos substitutos e em centros de poder. Na prática, ou no "bottom line", as organizadas roubam receitas dos clubes. É difícil, mas não se pode admitir o poder que essas organizações "piratas" tem com a injustificável conivência do poder público e dos dirigentes dos clubes.


4. Planejar, planejar e planejar : o trabalho para 2008 começa atrasado se começar hoje, trabalhar as questões de receitas previstas, ajustar custos e atividades para esta nova realidade. O planejamento da atividade esportiva como contratações, reposições de atletas e todos outros aspectos esportivos já precisa estar em andamento; com receitas adicionais vindas do relacionamento, pode-se montar uma base "série A" para subir e chegar com esta base na volta ao devido lugar do clube.

5. Administração a ferro e fogo : controles extremos de investimentos, custos e despesas, auditoria constante e publicada; não há espaço mais para as roubalheiras absurdas do passado. O clube precisa ser administrado como se tivesse um "dono" sovina e rabugento.

6. Combate ferrenho à pirataria: por mais caro e difícil que seja, é preciso fechar este ralo por onde escorrem oportunidades de receitas, varal com camisas falsificadas e piratas pregado na parede do estádio é inaceitável, deve-se sufocar esta atividade pelo viés econômico com constantes apreensões até que não valha mais a pena se aventurar.

Enfim, outras idéias vem e vão, mas relacionamento com o consumidor, configuração de atividades para atender às necessidades e desejos do consumidor e sua administração são as saídas, também conhecido como marketing.

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